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Shechinah, a glória do Senhor
Não há nada mais marcante e importante na vida do ser humano que experimentar a presença de Deus. Muitos de nós fomos ensinados pelos nossos pais a respeito da existência de Deus e da necessidade que temos Dele. Porém quando isso fica apenas no campo intelectual e subjetivo, o tempo e o mundo vão introduzindo dúvidas em nossas mentes e nossa fé vai se desfalecendo. O nosso Deus Eterno pode se transformar em algo distante, que não participa de nossa realidade.
O que cada pessoa necessita é de uma experiência pessoal com Deus, uma amostra viva do seu poder e do seu amor. Há momentos em nossas vidas nos quais procuramos um sinal, uma resposta, algo que nos dê segurança de que Ele não apenas existe, mas também que está ao nosso lado, que escuta nossas orações, que vê nossa devoção e que, mais importante, está contente com nossas vidas. Muitos entram em uma Igreja com as perguntas: "Será que vou encontrar Deus aqui? Será que Deus está aqui?". Em alguns templos religiosos, são produzidas emoções por meio de músicas e mensagens arrebatadoras para que as pessoas possam "sentir" a presença de Deus. O que muitos de nós realmente gostaríamos de ver é o próprio Deus falando com uma voz poderosa vinda dos céus e fazendo sinais e maravilhas como vemos principalmente no Antigo Testamento. Entre os judeus havia um termo em aramaico que expressava a presença de Deus: Shechinah. Este termo representava o sinal evidente de que Deus estava presente, vivo e atuante. Vamos ver como ele se manifestou no Antigo Testamento e como Ele se manifesta agora, na Nova Aliança.Êxodo 40:34-38
O livro de Êxodo termina com a construção do Tabernáculo e da Tenda do
Encontro. O povo de Israel estava sendo formado e tinham recebido a Lei
por meio de Moisés. Entre as ordenanças estava a construção do local
onde Ele habitaria no meio de seu povo.
Os israelitas precisavam de um templo, afinal de contas, todos os outros
povos possuíam um templo, um sacerdote, um religião organizada e
estabelecida. Pelo fato de serem nômades, uma tenda era mais conveniente
do que um templo, já que poderia ser montada e desmontada durante toda a
jornada que o povo teria até Canaã.
Lendo os últimos capítulos de Êxodo, vemos todo o trabalho e talento
humano que foi utilizado, desde a escolha de homens capazes para esta
construção e uma grande oferta levantada para prover os recursos
financeiros para a obra (Êxodo 36).
No capítulo 40, várias vezes é repetida a frase: “Moisés fez tudo
conforme o Senhor tinha ordenado”, mostrando a humildade e submissão
desse homem de Deus, que observou cada detalhe da construção da tenda,
inclusive da mobília e utensílios que iriam compô-la.
Em Êxodo 40:33b está escrito: "Assim, Moisés terminou a obra."
Um homem dedicado, trabalhador e devoto realizou uma grande obra para
Deus. Está tudo concluído - agora os sacerdotes poderiam iniciar o seu
serviço religioso e o povo poderia se orgulhar do grande trabalho que
fizeram para Deus.
Porém, uma grande nuvem enche o lugar e ninguém podia entrar no
Tabernáculo, nem mesmo Moisés, o homem que conversou com Deus face a
face.
A glória do Senhor encheu todo o lugar e não havia espaço para o
homem
A única coisa que os israelitas poderiam fazer seria adorar e se humilhar
diante de Deus. E também sentirem-se seguros que o Deus Eterno estava com
Eles.
Fico imaginando os sacerdotes, depois de tanto trabalho, ansiosos para
iniciar seus serviços religiosos, agora ali forçados a parar toda a
atividade religiosa para a qual foram designados. Deus estava mostrando que, antes de ser realizado qualquer serviço religioso, aquele local, sem a Sua presença, seria mais um templo ou uma tenda. E então o serviço religioso se tornaria uma rotina, um hábito, mais uma religião secular...
Penso na minha vida e na de muitos cristãos. Somos extremamente ativos,
queremos fazer muitas coisas, realizar cada atividade cristã com muito
zêlo e trabalho, sejam os cultos, encontros bíblicos, reuniões e demais
eventos. Queremos fazer tudo com muita excelência, porém podemos
esquecer que nada disso tem valor sem a presença de Deus. E o que é pior,
muitas vezes desprezamos a presença Dele.
É como vemos as irmãs Marta e Maria nos evangelhos. Em Lucas 10:38-42,
elas recebem Jesus em sua casa. Maria, uma mulher muito trabalhadora,
serva, sempre ocupada com muito serviço. Maria simplesmente pára tudo o
que está fazendo para sentar-se aos pés do Senhor e ouvir sua palavra.
Maria percebeu que estava diante do próprio Deus e que naquele momento a
melhor coisa a ser feita seria simplesmente escutar e adorar ao Senhor.
Marta, ao contrário, não pára o serviço e ainda critica a atitude da
irmã. Jesus, porém, ensina que Maria estava certa, que era o momento de
apenas ver a glória do Senhor.
Por isso Deus ocupou toda a tenda com a sua presença - o Shechinah. Para
que os sacerdotes se lembrassem para quem eles iriam servir, qual a
motivação que deveriam ter para tanto zêlo e dedicação. Pois quando
se perde a motivação correta, o que está escrito em Eclesiastes 4:4 se
torna realidade: "Todo trabalho e toda realização surgem da
competição que existem entre as pessoas."
Podemos estar atarefados e com a agenda cheia, achando que isto é que nos
faz mais espirituais que os outros. Ou quando, em nosso ministério,
pessoas são salvas e isso nos torna mais orgulhosos, ao invés de
reconhecer a presença de Deus.
Imagine que você e seu grupo decidem ter uma grande vitória e se reúnem
para uma semana intensa de oração e evangelismo. Tudo está preparado
para o grande encontro - a comida feita com muito zêlo, a casa limpa,
muitos amigos confirmados e o tema espiritual do encontro devidamente
escolhido e planejado. Tudo pronto para a grande vitória e, ao chegar na
casa aonde seria feita reunião, uma grande nuvem impede a entrada de
todos. A mesma nuvem que encheu o Tabernáculo agora enche o local aonde
seu grupo iria se reunir. Qual seria seu sentimento? Impaciência?
Frustração por você estar impedido de exercer seus serviços religiosos
ou a alegria e júbilo ao saber que Deus está presente?
A glória do Senhor estava no Tabernáculo porque: 1) O povo foi obediente. Tudo foi feito como o Senhor tinha ordenado. 2) Houve sacrifício do povo, através de suas ofertas e trabalho; 3) A importante liderança de Moisés, 4) Porém, acima de tudo, a grande misericórdia de Deus.
Moisés estava aqui no fim de sua vida descrevendo a nuvem da glória e
relembra aos leitores que esta era a mesma nuvem que o acompanhava,
durante as viagens dos israelitas, as quais serão descritas nos próximos
livros. Algumas vezes, a glória da presença de Deus é um convite a prosseguir para grandiosas obras e, às vezes, é um incentivo para permanecer paciente e fiel, esperando que Deus atue mesmo nas situações difíceis.
2 Crônicas 5:14 “de forma que os sacerdotes não podiam desempenhar o seu serviço, pois a glória do Senhor encheu o templo de Deus.”
Passaram-se 500 anos e agora Salomão termina a construção do templo. De
uma civilização nômade, os israelitas passam agora para comunidades
urbanas e o Tabernáculo dá lugar a um templo fixo.
Davi sonha com o Templo, mas é Salomão quem o constrói. Assim como no
tempo de Moisés, há novamente trabalho duro, ofertas, liderança, zêlo,
e finalmente o templo é construído. E ele é consagrado com a presença
de Deus, o Shechinah. Mais uma fez os sacerdotes estão impedidos de
desempenhar o seu trabalho, e a única coisa que poderiam fazer era
contemplar a glória de Deus. Algumas vezes parece que estamos impedidos
de fazer o trabalho de Deus. E o que é mais estranho, que é o próprio
Deus quem permite isto.
Quantas vezes já me peguei irritado por estar com algum impedimento de
realizar meu trabalho, seja por uma alteração na agenda, ou por motivo
de saúde, ou por uma pessoa com quem iria estudar a Bíblia não poder ir,
ou qualquer outro imprevisto. Será que Deus não vê que estou querendo
trabalhar para Ele?
Em Atos 16:22-34; vemos Paulo e Silas na prisão. Dois discípulos
fervorosos, trancados no cárcere e com seus pés presos no tronco,
estavam agora impedidos de pregar a mensagem. Porém não estavam
impedidos de buscar a glória de Deus, e permaneceram orando e louvando a
Deus e a presença de Deus foi até eles, libertando-os da prisão e ainda
salvando o carcereiro e toda sua família.
Também no templo de Jerusalém a nuvem da presença de Deus, o Shechinah,
estava lá para deixar bem claro que Deus estava presente no meio do seu
povo. Ninguém ficaria duvidando: “Será que Deus está conosco ou não.”
E hoje, como podemos ver a glória de Deus? Como poderíamos ter um sinal
bem claro e evidente da presença de Deus, como foi o Shechinah no Antigo
Testamento? Vamos ver algumas escrituras do Novo Testamento que falam da
glória do Senhor.
2 Coríntios 3:18 "E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito."
Hoje a glória do Senhor é demonstrada claramente nas vidas transformadas.
Não há nada mais poderoso em que possamos ver a nítida presença de
Deus que uma conversão verdadeira e uma pessoa se tornando mais
semelhante a Cristo.
Se no Antigo Testamento, Deus habitou em um lugares físicos - o
Tabernáculo e o Templo -, Ele agora habita em nós, através do Espírito
Santo. E esta glória é cada vez maior. Este versículo deixa bem claro
que a presença de Deus na vida de uma pessoa é demonstrada por uma
transformação constante e crescente.
Em 2 Coríntios 3:16 diz "Mas quando alguém se converte ao Senhor, o
véu é retirado". Ele está se referindo ao véu que separava o
Santíssimo Lugar do resto do Templo, aonde somente o sumo sacerdote
poderia entrar, pois lá estava a presença de Deus. Quando alguém se
converte e é batizado ela passa a ser a própria habitação do Espírito
Santo, ou seja, torna-se habitação de Deus.
Em 2 Coríntios 3:9, diz que o ministério de Cristo é muito mais
glorioso que o de Moisés. Fica claro que apesar de não vermos mais o
Shechinah, há muito mais glória agora. Em João 15:8, Jesus nos ensina que Deus é glorificado pelo fato dos discípulos darem muito fruto. Este fruto se refere tanto aos frutos espirituais - como nossa própria vida sendo constantemente transformada -, quando a outra pessoas que ajudamos a conhecer a Cristo, pois somente uma vida transformada pode ser instrumento de Deus para transformar outra vida.
Em João 17:22, Jesus afirma que nos deu a glória que havia recebido de
Deus para que sejamos um. A glória de Deus é vista também através da
nossa união e amor um ao outro. Ver pessoas que nunca seriam amigas no
mundo, tendo um relacionamento de família dentro da Igreja, isso é a
glória do Senhor se manifestando.
Deus quer ser glorificado hoje com sua presença em nossas vidas. Na
Igreja de Atos, vemos homens cheios do Espírito Santo realizando grandes
coisas para Deus. Era nítido que Deus estava com eles.
O que podemos aprender é que não será somente pelos nossos esforços
que vamos construir o Reino de Deus, por mais trabalhadores e dedicados
que sejamos, mas pela nítida presença de Deus em nossas vidas. Até
mesmo o apóstolo Paulo, um exemplo radical de devoção e trabalho, é
bem humilde ao reconhecer que não poderia "reivindicar qualquer
coisa com base em nossos próprios méritos, mas a nossa capacidade vem de
Deus" (2 Coríntios 3:5). O ponto aqui não é parar de trabalhar,
mas tirar a confiança do nosso trabalho humano, pois avançar o Reino é
um trabalho sobrenatural e precisamos da presença de Deus ao nosso lado,
se não vamos nos cansar muito e produzir pouco.
Deus não precisa mais de um local físico para mostrar sua glória. Ele
é revelado ao mundo através de sua Igreja, formada por vidas
verdadeiramente transformadas, aonde pode ser vista a glória do Senhor.
Toda esta transformação vem de dentro para fora, vem da alma, não são
regras e hábitos religiosos que mostram a presença de Deus, mas através
de uma vida cheia do Espírito Santo.
"Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar
na construção." Salmo 127:1 |